segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ÁRVORES

Crescendo sobre o vento que dobra ao norte
A vista inclina quando deitados ao chão
Galhos, grama, lábios
Encontramo-nos na próxima estação...
O trem resga o ar
O ar ganha espaço entre nós

Indique com o dedo, meu amor
No peito, crescendo como relva
Rasteira, esperando, precipitação...

E ela chega
Confortando-me...
Escorremos ao chão
Descendo pelos rios até ser mar
Salgado, seus lábios, seu beijo, sua pele...

Embarcação, indique com o dedo amor
No olho de um furação, crescendo
Ligeiro, flutuando, sonhando, delirando paixão

Agora, junto à lareira
o fogo a afasta das frestas - evapora
Você desapareceu em um instante
em um instante... queimando até ganhar um novo espaço
entre gramas e galhos
Mas, agora, sem os lábios...



assis.thiago

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

3.º ATO

INTRODUÇÃO

A porta é de cor clara, como os efeitos solares que cegam os olhos
Mas os olhos resistem, resistem pela curiosidade, pela vontade de conhecer.
Ele se aproxima, ainda com um pouco de medo agarra a maçaneta e gira...

DESENVOLVIMENTO

Eis que surge um túnel embebido pela escuridão.
Havia medo, mas agora já sabia seu nome
E, por mais inseguro que fosse, teria que continuar...
Desenhando as mãos, a parede o guia até o próximo passo
e assim se vai...
A princípio se olhava para traz
para se ver a fresta de luz que vinha da porta
(como uma criança com medo do escuro...)
Mas depois, com o avançar dos passos, o hábito do retrovisor se desfalece...
O caminho é lindo: fotos, imagens, lembranças...
E lá se vai o corpo, caindo... mais e mais...

CONCLUSÃO

Um estalo denuncia a morte de tudo
Sua cabeça bateu com tanta força que se abriu
Um coágulo irreversível...
Foi quando olhou para traz e sorriu
Ele viu que havia arriscado, que havia conquistado
que havia perdido, mas que havia ganhado uma outra chance...
Ele viu que uma linda porta pode abrigar uma armadilha visceral
e com isso ele aprendeu o que é beleza.
Ele viu que o conhecimento se dá com a experiência
e com isso ele aprendeu o que é maturidade.
Naquela noite ele sorriu, sorriu porque viu que estava bem
Ele sorriu ao agradecer por não ser uma porta.



assis.thiago

É SÓ UM TOQUE

Olhando o céu escurecendo
perdendo a base a qual sempre me entrego
Sempre... sempre...
Quando você abre os olhos e vê que não tem
Alguém que possa te ouvir ou te fazer bem
e, quando você perde a base
não tem ninguém que reverta
Estou olhando o sol morrer...
Abrindo os olhos pra você
Queimando os olhos ao te ver (por dentro)
Quando você abre os olhos e vê que não é assim
E então, olhando ao redor, você percebe que tem sim
Pessoas que se importam
pessoas que nunca falham
pessoas que amamos
Família, amigos, Deus...



assis.thiago

domingo, 23 de dezembro de 2012

TRÊS MINUTOS

Ainda estou acordado, encostado nas paredes, entre a varanda e o vão que nos cerca ao nono andar. Olhando a Rua Frossard e seu movimento inconstante das poucas figuras que passam, dos poucos carros que a cortam... três horas da manhã... Respirando forte nos intervalos dos tragos de um cigarro aceso. A fumaça me faz esquecer as vezes, mas é só as vezes... como agora, está difícil.
Hum, o som que surge agora é o de um avião, que passa sempre neste mesmo horário. Três horas... Se estivesse lá dentro, lá em cima, vendo como sou pequeno aqui em baixo, talvez eu poderia fugir um pouco. Desse cenário. E me levantar com as mãos limpas na manhã seguinte. Estão bem sujas, estão vermelhas.
Ela está me olhando, sentada em uma cadeira de metal que trouxe da cozinha... ela não pisca, ela me assusta com sua concentração. E eu aqui, encostado nas paredes... Ela tinha os olhos do pai e os lábios falaciosos da mãe, porém macios como um pêssego, cheirava à flores campestres, sabe, ela sempre foi linda. Estava usando moletom e blusão cinzento daqueles com nomes de universidade da porra - típico traje de inverno. Foi tão rápido, ver você chorando e depois, e depois... Eu tenho planos sabe, eu tenho, eu, eu tive sonhos uma vez. Mas ela nunca me apoiou. Eu tive que silenciar a dor. E ela não me deixava, ela não queria que eu fosse além daquilo, mas eu fui.
A cozinha estava próxima e a hora era um abafador de crimes. Eu só precisaria de um minuto, de um minuto, mas ela tentou me beijar... eu, eu não esperava. Eu tentei congelar, eu fiquei mais três minutos. Meu amor... perdoe-me.



assis.thiago

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ESTRELAS

Você entra pela garagem
e percebe que esteve agindo certo
mas estou virando o jogo
Enquanto derrubamos estrelas
O céu está ficando vazio
Mal consigo relaxar
Você esteve tão bem
tão perto de tocá-la
Iria se sentir bem só em olhá-la
Sentiria o sol queimando você
Ela está viva
tomando o meu tempo
Por que não desaparece?
E torne tudo melhor
como antes...



assis.thiago


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ORQUÍDEA

O dia estava cinza
Gotas caindo de suas pétalas vazias...
Orquídea...
Misto de amor sóbrio
Auto-melanina
Autorama
Metafenilamina...
Metafoda-se!

Ovas distintas
Fecha-me os olhos, mas as vigas...
Orquídea...
Quando apago é você, só você
quem habita em meu cerne...



assis.thiago

ANJO

Ela disse: eu te amo
e aquilo soou alto e, não saiu de mim
corrompendo todo plano que
eu havia imaginado ter...
Mais uma vez
buscando formas em te ver
Anjo...


assis.thiago

domingo, 16 de dezembro de 2012

COMISSÃO

Segurando os fios para não cair
Você tem a chave que pode abrir
e revelar coisas frias...
Você tem a chave que pode abrir
Menina...
Não brinque comigo
Você nem me conhece
Eu ficaria sorrindo, mas
foda-se!
Levantando casas
abrindo desvios
Desvios...
Não brinque comigo
Você mal sabe o poder que tenho
Sozinho? Nunca estamos sozinhos
Eu ficaria sorrindo, mas
foda-se!
Segurando as bolas para não cair
mas quando caem, misturam-se à merda
Menina...



assis.thiago

DRENO

Eu não tenho escolha
Eu não tenho mais o que esconder
o jogo está aberto a você
"Basta dar o primeiro passo
e mover os olhos para mim"
Atuando...

Falando sobre amor...
Você me ama diferente, mas
é como descobrimos nossos interesses

Estou buscando por você
estou tentando te entender
mas é como se estivesse fechada
"Basta ativar nossos ossos
e mover os olhos para mim"
Atuando...

Falando sobre amor...
Você me ama diferente, mas
é como descobrimos nossos interesses

Falando sobre amor...
Você me ama diferente, mas
é como descobrimos nossos interesses

Falando sobre amor...
Você me ama diferente, mas
é como descobrimos nossos interesses

Eu não tenho escolha
Eu não tenho, eu só tenho você!
"Basta dar o primeiro passo
e mover os olhos para mim..."



assis.thiago

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NOSTALGIA


Quando eu
olhando para trás
fingindo ter uma calda de remorsos
O sentimento para
como se não ousasse bater
Ele para
e desata o nó da boca...

Você pode me dizer o porquê
mas prefere se esconder do sol
sua língua fere mais que o som
fere mais que o som
Você quer se livrar de mim
mas entenda, não é assim
não é assim...

Eu formulo os planos
movendo os planos
para debaixo da luz da sala
O sentimento para
como se não ousasse bater
Ele para
e desata o nó da boca...

Você descobre que pode me deter
e se gaba por amar você
sua astúcia é de uma política suja
ditando luxúrias junto ao som
Você desaba em sangue
mas entenda que
estamos livres...
livres...

Agora...
deixe-me sentir a nostalgia
batendo no piso do carro
os vidros se encolhem para ver o sol
Deixe-me sentir o som metálico
das ferragens que se dobram para ver o sol
Deixe-me descer no posto
e ver teu rosto
pela última vez



assis.thiago

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MARIA FUMAÇA

Eu apertei e
desviei o trilho
Quando o trem se lança
entre as nuvens de fumaça
Crianças, desenhando corações
em cactos
Eu desviei o trilho
te levando direto para o buraco
onde dormíamos sem medo
esperando o dia nascer
Mas ontem era sábado
Quando o trem se lança
entre árvores cinzentas
Crianças, atirando contra
seus pais...


assis.thiago


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MEL

Entre prédios e andaimes
a noiva vai e vai e, vai...
Sua calda longa e leve
Fica... mas
eu tenho algo a dizer
uma observação...

Por que? Quando eu me deito
é claro ver seu rosto...
Em lindos sonhos de amor

É claro ver seu rosto...

As coisas mudam
até se acostumar
O tempo passa
passa... mas
Estivemos tão perto de chegar
Próximo ao mar...

E quando tudo fica mais calmo
Devagar, nos sentimos altos
E quando eu me pergunto
se é você a mesma!

Por que? Quando eu me deito
é claro ver seu rosto...
em lindos sonhos de amor
Por que me sinto fraco
mesmo sabendo que a tenho?
Bem-vindo ao meu sonho...



assis.thiago

sábado, 8 de dezembro de 2012

O OUTRO LADO

O outro lado é uniforme
apesar das distorções...
Um pano de prato desmonta a cena
e você quase caiu no velho golpe
Essa TV nunca fica colorida
Uma faca e duas horas e meia
Diluindo, viscoso
Um traço desce o rio até o esgoto
e você que nunca aprendeu a nadar
"Eu sei, porque eu choro"
Mas estou sentindo seu cheiro
estou sentindo que posso...
Um cenário onde as coisas aconteceram
e eu sempre confiando na verdade
e, confiando, perde-se toda ela
Esse cheiro nunca fica perceptível
mas é como se estivesse aqui...
Do outro lado...
É uniforme
apesar dos enganos
são só lembranças...
Um copo quebrado no chão da sala
e você preocupada - curiosa
morreu-se o gato
Um trio desce o rio até o ralo
e você que nunca sentiu medo
"Continuo não sentindo"
Continua me divertindo
em seus sonhos
Eu fico aqui
de olhos abertos
esperando que me veja
Eu fico aqui
do outro lado...
É uniforme
apesar do controle
que não tenho...
Um diário aberto com seu nome
a grama, crescendo e morrendo bem na nossa frente
Essa ventania fora de hora...
e você quase nos levou...
Uma faca e uma sacola vazia
Diluindo, esperando
Um corpo descendo o rio até a ponte
e você, resistiu ao mergulho
até amanhecer




assis.thiago

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

INTÉRPRETE

Interprete como quiser
Está voltando as costas
Está se desfazendo dos dias...
Que andam...
na velocidade da luz
Você olha, fixa
mas não consegue acompanhar
Atribuindo a forma de uma vadia
quando digo - todos dizem merda durante todo o tempo...
Você olha, fixa
mas não percebe
o que acabou de perder...


assis.thiago


O QUE HOUVE AQUI?

Ainda, despidos sob a chuva
Deus lançando raios ao mar
Eu tenho um dia
e esta é a última noite
Surpresa
Conserve-se distante do som
Eu tenho um dia
e esta é a última faixa
Nossa última noite juntos
nossos últimos sonhos...
Ainda, caindo junto à chuva
Deus formando ondas
Eu tenho um dia
e esta é a última noite juntos
nossos últimos sonhos...
Voando alto...
Nublado... sete dias
Nublado...
Eu tenho um dia
e esta é a última faixa
Nossa última noite juntos
juntos...


assis.thiago

COLEIRO

Congelada
Você a tem em seu tempo
e nada vai fazer com que a perca
e caia no sono...

Anfetamina
Salutar...
Não sei mais o que é real ou não

Uma escada em direção ao térreo
Queria sentir que tenho o chão como apoio
Um degrau em direção ao térreo
Um jornal do início do século...

Ela não moveria os lábios
não moveria porque você a tem
e nada vai fazer com que ela acorde
Como quiser...

Anfetamina
Dose cavalar
Você abriu os olhos e nunca mais sonhou

Uma escada em direção ao térreo
Queria buscar um novo caminho de apoio
Um degrau em direção ao térreo
Ela moveria os lábios, pode apostar...

Levante-se!

Os caixões abertos
Seus lábios incertos - moveram-se
De acordo com o sol...



assis.thiago

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MIL

Tortura... 64
Parecem passar mil anos
e quando pensamos, mas
não mudou nada
A esquerda continua
no papel e nas falas
enquanto queimam figuras
o presidente estipula - uma nova fase...

Mas com todos esses anos
Eu espero, sinceramente, ter conseguido crescer
Assim como minha barba e todo esse nojo...

Você me pegou...
Pareço estar voando - de volta ao passado
e quando acordamos, mas
não mudou nada

Com todos esses anos
Eu espero, sinceramente, ter conseguido crescer
Assim como minha barba e todo esse nojo...

Levantando...
Carboniza, desliza...
para debaixo dos panos,
para debaixo dos panos

Você me pegou...
Pareço estar voando - de volta ao passado
e quando acordamos, mas...

Com todos esses anos
Eu espero, sinceramente, ter conseguido crescer
Assim como minha barba e todo esse nojo...

Levantando...
Levantando...
para debaixo dos panos...


assis.thiago

DOIS PRÉDIOS

Você subiu no parapeito
Olhando o chão e a multidão
Seus carros parados...
Olhou para mim e me bebeu
Perto do fim, dois laços e enfim
Prédios caindo...

Foi... Dois prédios caindo...

Você abriu os olhos e viu
ao lado, parado...
Fui eu, fui eu...
E então dormiu em meus braços
Enterre-me, a salvo...

Foi...
Até o chão...
Três segundos (1,2,3...)
Vou até o chão...
Lá fora tudo passa, passa...

Você subiu no parapeito
Olhando o chão e a multidão
Seus carros parados...



assis.thiago


sábado, 1 de dezembro de 2012

OSSOS

Eu queria furar seus olhos
e lançar o resto ao mar
Jack adoraria ouvir isso
Por isso se mantém quieto o tempo todo
Não acha conveniente?
É totalmente conveniente

Encontramos conchas mergulhando entre os prédios
Ossos...

Eu queria furar seus olhos
Eu queria tirar seu apoio...

Encontramos conchas mergulhando entre os prédios
Saberia se não me perguntasse tanto...

Ossos...


assis.thiago

terça-feira, 27 de novembro de 2012

GASOLINA

Deus abriu os olhos
inseridos em monomotores
Despindo shorts três cores
Belas pernas - não toque!
Sim, estou vendo de longe
Ha uma milha distante
Aparente...

Se a terra abrisse sua boca mal cheirosa
O enxofre subiria até os motores
Petróleo...

Fez Deus abrir os olhos
mas os Sírios montam bombas
maiores que o sol...
Bela vista a que tenho
Sim, estou vendo de longe
Ha uma milha distante

Se a terra abrisse sua boca mal cheirosa
O enxofre subiria até os motores
Petróleo...

Controle nos bolsos
Não suje o tapete
Eu tiro os sapatos
Deitados...

Deus abriu os olhos
inseridos em monomotores
Despindo shorts três cores...

Controle-se
Não suje o tapete
Eu sinto seus lábios e...



assis.thiago

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

26

Correntes nos lábios
Um troco e, o troco é negado
Onde podemos dizer e
dizendo vamos onde queremos estar...
Dentro de um sistema, murcham
flores, mentes, dores - esquizofrenia...
Mal do ano
Mal nos planos
Mal nas frases
Mal nos planos
Devemos ser quem você quer?
E então mudamos a forma de andar?
Puxando o peso com toda aquela arma de bolso
De cano cerrado, entre o céu e os galhos
Esperando...
O momento certo em um instante
Estamos indo e vindo como bumerangues
Acertando em pares, mas errando o dobro
Quando começou o jogo?
O jogo do ego
O jogo do cego
O jogo da arte de não ter o que fazer
Não temos o que fazer... "não sabem o que fazem"
Um trunfo guardado a sete chaves
Esperando...
O moinho de vento parar
A dobradiça da porta dobrar
até ser dia outra vez...
até ser dia outra vez...

Eu tenho um lance em um relance
Uma bomba pronta para estourar
Onde podemos cuspir desejos
Onde podemos dizer e
dizendo vamos onde queremos estar...
Dentro de um sistema, mudam
a forma, questões...



assis.thiago

domingo, 25 de novembro de 2012

SANTA MARIA

As paredes se movem
Crianças brincando... pique-esconde
Atrás das árvores - verdes
Até descer tudo...

A terra em seu quarto
O retrato levado, o retrato... 3x4's

Uma simples falta
grave, grave, rebobinando...

A montanha se move
e levanta, levantando-me...
Dentro de casa, mas
não estou em casa...

A terra em seu quarto
O retrato levado, o retrato... 3x4's

As passagens se movem
para baixo do tapete dourado
O rio passando com os braços cruzados...
Os anos passando com os braços cruzados...

Uma simples falta
grave, grave, rebobinando...



assis.thiago

sábado, 24 de novembro de 2012

AMOSTRAGEM

Cervo, à beira da estrada
o carro passa e bate palmas
Os nervos estouram...
Porque se tirarmos a raiz não suporta
se tentarmos avançar...
Se tentarmos mostrar...

Muitas morrem como se nunca houvessem existido
Caixões metálicos e teto de vidro
Porque se tirarmos a razão não suporta
se tentarmos avançar...
Se tentarmos mostrar...

Caindo por terra...
Ouvindo todas as vozes enterradas
Se agisse de outra forma
em outra forma e, a forma agora te...
deforma...

Cervo, deitando-se sobre o carro
Mil quilos, estrago
As horas não passam...
Porque se passam revelam a raiz

Caindo por terra...
Limpando o sangue no painel do carro
Se agisse de outra forma
em outra forma e, a forma agora te...
deforma...



assis.thiago



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ROTATIVA

Encontra-se calmo
Dias melhores virão
e então levantará com os ombros à frente...
Com os dentes brancos, mas ainda...
pensando no que dizer...



assis.thiago

FLORAL

Vamos viajar entre as nuvens
e sentir o gosto das flores
Vamos tecer os dias e as noites

Com você tem sido assim
Até fechando os olhos eu posso sentir o seu cheiro...

O seu beijo - não sei, mas esteve sempre aqui
Entre os livros e as capas...

Estou prestes a te falar
Uma explosão estocada
Se eu olhar para cima...

Com você tem sido assim
Até fechando os olhos eu posso sentir o seu cheiro...

Assumiremos lugares
Voaremos distantes
Nossos olhares; distantes...

Estou prestes a te falar
Uma explosão estocada
Se eu olhar para cima...
Se te ver... vou sorrindo...

Vou...



assis.thiago
FLOR PÚRPURA

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

VIOLETA

Se voássemos, navegantes
sobre um mar de flores brancas...
Ainda hoje
Calculando a distância
Você subiria até a ponta
e ascenderia meu barco

Escuro... é como fica a noite
Temos luzes, mas fogem à vista - litoral...

Abrace um demônio
estando fria ou não...
Galopando entre as ilhas
Você subiria até a ponta
e ascenderia meu barco

Escuro... é como fica a noite
Temos luzes, mas fogem à vista - litoral...

Pergunte o destino
e estará perdendo a surpresa
É um jogo com base na confiança
então confie.

Se voássemos, navegantes
sobre um mar de flores brancas...
Se voássemos, amantes
sobre um mar de flores brancas...

É como fica a noite...




assis.thiago

domingo, 18 de novembro de 2012

VIAJANTE

Boa viajem...
O que dizemos e sentimos
até a próxima vez...
Residimos em cores raras
Presidimos em um mundo egoísta
Resistimos até o próximo capítulo
O próximo capítulo...

É onde entupimos as ruas de sonhos
Prevalecendo os sentidos
Eu sinto, mas se não puder sentir comigo...
Sentimos e, é como nos vimos

Fique bem
Pedindo a Deus se resolve
Caminhos...
Enxergamos cores raras
Dirigindo em estradas menores
Resistimos até o próximo capítulo
O próximo capítulo...

É onde entupimos as ruas de sonhos
Corrompendo o destino
Eu sinto e sei que pode sentir comigo...
Sentimos e, é como nos vimos

Do alto...

"Não olhe para baixo"
Mas olhamos... e não resistimos
Nós olhamos e não caímos...
Boa viajem... até a próxima vez...

É onde entupimos as ruas de sonhos
Explodindo coisas
Eu sinto que pode estar comigo
mesmo estando tão longe...

Do alto...




assis.thiago

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BOA NOITE

Ela desconfia, silenciada
Perguntando-se como veio até aqui...

Lembro-me dos sonhos
e das vezes em que acordou no meio da noite
Quantas curvas até aqui...

Ela morde os lábios, nervosa
Querendo um pouco mais de tempo...

Lembro-me dos sonhos
e das vezes em que deixei meu amor dormindo
Quantas curvas até aqui...

Mas de alguma forma você se distanciou
e deixou um rastro devastador
em mim!
Mas de alguma forma você me matou
derrubando todas as estrelas que haviam no céu

Lembro-me dos sonhos
e das formas que encontramos ao nos ver
Lembro-me dos sonhos
e das vezes em que deixei meu amor dormindo
Quantas curvas até aqui...



assis.thiago


CÉUS

Onde estiver
vou te encontrar
e não importa quanto tempo vou gastar
com você...

Quando o tempo fechar
vamos sair
e nos encontrar por aí...

Vou te guiar
até aqui - perto de mim
Parando o tempo, desligando...
Com você...

Quando o tempo fechar
vamos sair
e nos encontrar por aí...

O céu abriu...

Quando o tempo fechar
vamos ouvir um ao outro
Quando o tempo fechar
vamos sair e ver o mar...

O céu abriu...



assis.thiago

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ROSA ALTA

É, quando você confia demais
entregando-se mais e mais...

Céus em rosa caem
flores murcham - cores
por que você não estava aqui?

Cenas em um palco
Ajoelhando sob sua janela...

Céus em rosa caem
flores murcham - cores
Onde você estava?

Deitada sobre nuvens encharcadas d'água
Ouvindo Deus andando sobre o piso
Seus passos estão ficando cada vez mais baixos
Apresento-me o ar de continuidade

É, quando você confia demais
acelerando um processo naturalmente lento

Deitada sobre nuvens encharcadas d'água
Ouvindo Deus pensando alto...
Acelerando o processo natural e lento
Apresento-me o ar de continuidade



assis.thiago

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

DENTRO DE CASA

Nossos medos foram lançados ao mar
Segredos, brinquedos - uma nova infância...
Armas, é bem melhor que continue assim?
Ameaças, mas vai ficar melhor assim...

"Estive pensando 'como vou continuar'
fugindo agora não vai melhorar..."
Palavras, é bem melhor que continue assim...
Psicológica...

Dentro de casa
sentindo o que é amor
Na pele, na alma
"Estive pensando..."

Palavras, é bem melhor que continue assim...
Bate e volta... e ninguém sabe o que...
se passa! Aqui! Dentro de casa...



assis.thiago

domingo, 11 de novembro de 2012

PERNOITA

Estarão perto de uma casa branca
Você cobre a cama de sangue
mas no fim tudo fica mais calmo
Envolveram os lençóis sobre os punhos
Teu seio gritando por socorro...

Vigas - delineando...
arquitetura de linha tênue...

Saiu quando não havia mais ninguém
Você tem uma faca dentro do bolso
carregando uma sacola plástica negra
Envolvendo o amor entre os dedos
medo de continuar...

Vigas - deitando-se...
arquitetura de linha tênue...
Uma noite e mais um dia de sol
Promete que vai me deixar perto de casa...

Vigas - delineando...
arquitetura de linha tênue...
arquitetura de linha tênue...


assis.thiago

sábado, 10 de novembro de 2012

NOVE ANOS

Engane seus pais
diga algo que possam acreditar
Febre alta, esquente um termômetro...
Sairemos antes que possam notar
Estarei te esperando em frente ao bar
às dez, não vá se atrasar...

Lanternas, uma mochila velha do irmão mais velho
All Star, sapatos de homem...

Não tenha medo
finja que estamos brincando - no quintal de casa (nove anos)
Anões de porcelana, árvores cortadas...
Estaremos longe, fugiremos para onde não podem nos achar

Lanternas, uma mochila cheia de goma de mascar
All Star, sapatos de homem...

Não tenha medo
Feche os olhos, porque não pode olhar?
Está frio, "esquente um termômetro"
Logo, logo vai passar...



assis.thiago



DOROTHY GALE

Acordando em meio ao caos
caminho individual
Floresta de metal em meio ao caos...

Vamos ver até onde você vai...
Desviando o olhar
você não pode evitar
não tem volta...

Nuvens cinzentas
cigarros acesos
Meu medo em te perder em meio ao caos...

Vamos ver até onde você vai...
Desviando o olhar
você prefere escapar
mas não tem volta...

Você não viu...

Vamos ver até onde você vai...
Está prendendo o olhar
você não pode evitar
não tem volta...
Vamos ver até onde você vai...
Vamos ouvir a placar
você não pode ganhar...



assis.thiago

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

BÉLICCA

6101
Todos com medo da máquina
todos com fome...
Eu não vou te deixar
nem ouso tentar, nem quero...
Vamos mover o mar
Ao nosso favor

6101
Cruzando o céu azul...

Eu não vou te deixar
a levo aqui, ao lado
Quando nos acordar
onde iremos estar?

Cruzando o céu azul...

Todos com medo da máquina
perdendo espaço pra máquina
todos com fome, e a máquina
enchendo as bocas de...

Eu não vou te deixar
nem ouso tentar, nem quero...
Vamos mover o mar
ao nosso favor, ao nosso...
Eu não vou te deixar
a levo aqui, ao lado
Quando entrar no mar
onde iremos chegar?



assis.thiago

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

APATIA

Vou me deitar
e ouvir as ruas
guiando meus sonhos
ouvindo a música se aproximando...

Na medida em que o tempo passa
mais você disfarça minha apatia

Vou apagar
as luzes do corredor
fechando os olhos
Estou...

Perto daquilo que chamam de medo
Perto do dia em que a vi...

Na medida em que o tempo passa
mais você disfarça minha apatia
Minha agonia...


assis.thiago

ATÔMICA

Como o vento
vou passando
Só você vê, só você vê
Só você sabe o que passei - sobrevivendo

Quando apertamos os botões da blusa
Pessoas correndo, multidões morrendo

Com o vento...
Você não quer abrir a cova
Você me encanta, solte a bomba!

Quando apertamos os botões da blusa
Quando apertamos os botões da blusa
Quando apertamos os botões... (Ha-ha)


assis.thiago

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FOGUETE

Estava lendo romances
debruçado sobre o parapeito
"Minha cova de canto dos lábios..."
Quando sorria ficava mais evidente
De vez em quando...
raramente.
Uma sombra me acompanha
acredito ser o coveiro
acredito em estar certo - 1945
Podemos sair agora
Despidos, depois de nos afogar em ódio
amigos de meus inimigos se tornam.

Estava lendo romances
Em uma a mulher se foi
e na outra o homem ainda a espera...
Depois da tormenta vem a calmaria...
Podemos sair agora
Vestindo uniformes iguais
E então pulei...

O vento tocando meus braços
o frio faz com que a espinha caia
fechando os punhos - meu ódio...
As ruas e suas pequenas pessoas...
crescendo... crescendo...


assis.thiago

PRECIPITAÇÃO

Estou passando...
sobre pedras, eu tomo olhares que me olham...
Ah... é como o terror se lança
Ele me alcança e toma espaço...

Afastando os galhos
consigo te ver, mesmo à distância e olho...
Ah... é como o terror se lança
Ele te alcança e toma espaço...

Precipitações... estou tentando não te machucar
Diga-me... uma forma de sair
Uma forma de manter as coisas como estão
Estão boas assim


assis.thiago

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SOLAMON CONTRA O RIO

Descendo o rio
Nadja and Solamon...
Filtro... toque sexy
Mistura-se à bruma
Deslizando seus lábios até nascer o céu...
Fique perto, não cochile
Olhos brilhantes nos vigiando...

Vamos... para frente
O rio puxa seus ossos, prendendo-me os dentes - bruxismo...

Já posso ouvir o trânsito, os gritos e, sentir
o cheiro de sangue vindo dos becos
Eu já posso sair desse barco
mas não quero abrir os meus olhos...

Eu já posso ouvir o trânsito, os gritos, eu sinto
o cheiro de sangue vindo dos becos
Porque a vista daqui é em preto e branco
porque as cores nasceram mortas em um hospital...

Descendo o rio
Nadja and Solamon...


assis.thiago


domingo, 4 de novembro de 2012

REVOADA

Abrindo asas
Instinto natural
Antes de sentir que...
Garotas de beijo doce
Leve-me às ondas...
Falamos sobre conchas
e sobre machucados invisíveis

Deus...
Por que está doendo?
Estive pisando em cacos de vidro
mergulhando em ácidos...
Está doendo porque eu quis sentir...

Passando sobre as casas
O vento frio é normal
Antes de sentir que...
Garotas são frágeis
Mais um engano da noite
Abraçamo-nos longe
tão distante...

Deus...
Por que estou sofrendo?
Estive escrevendo mais sobre isso
mergulhando em ácidos...
Estou sofrendo porque eu quis sentir...

Empurrando toda água
para dentro dos pulmões
Meus olhos se fecham...
Abrindo asas


assis.thiago

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

NUBLANDO

Daqui. Parado, deitado sobre a cama, olhando o céu pela janela... Ele está cinza. Estamos conversando... sobre coisas, diversas coisas. Ele me entende, nós somos tão parecidos, estamos tão parecidos. Na parede passa uma luz, mas é como se ela não me tocasse... o sol está sobre as nuvens... o sol está... Não sei mais o que pensar, não sei mais por onde andar. Não somos tão parecidos assim. Como me engano... mas sempre vai ser assim? Olhando um céu que não chove. Nublando... Meus dedos procuram os olhos, haviam esquecido o caminho... Meus olhos se fecham, haviam esquecido o sentido... Estamos conversando... Ouço as pessoas passando na rua. Parecem felizes, parecem felizes...



assis.thiago

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

DELINQUENTE

Ouça a música
Complacente...
esqueça a vida - delinquente...
Viva, viva - perdoe-me...
Quando estiver na pior...
Desenterre seus erros...
Estará pescando soldados em ferro e aço agora...
Como em filmes, o braço forte não fugirás da luta
Um brado ou em córregos seus dedos não fazem diferença
Não temos heróis, não temos em quem nos espelhar
Temos delinquentes...
Desterrados, sem o direito à terra
desde os fins, porque os meios já não valem
E, tratando-se de valores, o que valem
se não a autossuficiência, o individual sem decência?
Sim, autoinssuficiência...
Meus caros, está tudo na TV
William Bonner falou na última terça
O país está crescendo e só sobrou você?
Perdoe-me, estive delirando enquanto tentava me manter
Sobre um pedaço de pão, um pedaço de teto,
uma parte ao chão e outra morrendo...
Já que as filas nunca andam...
a não ser por um montinho de reais - ou um montão, tanto faz...
Tanto faz? Hum, pare bem para pensar
Nossos filhos e pais crescendo sem sequer conhecer o rosto do prefeito
Temos direitos, mas se temos devemos deixar com que se percam?
Simples, ouçamos a música... e caímos na dança...
Mas dançamos bem pouco, se comparado aos donos da festa
Sei que são poucos, mas é como falam
a festa quem faz é o povo não é? Não é?
Não é...



assis.thiago

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

BOTÃO DE LOBO

Para dentro do piso
Enterrando meus casos antigos
Abraçando cadáveres - amigos?
Para mim você nunca esteve tão fria...
Você está deitada frente à porta
suas pernas estão vestindo os meus sonhos
Quando eu me deitar...

Sentindo que o efeito não passou
Você disse que não estava embriagada
mas eu não sei mais em quem acreditar
Suas palavras não condizem!
Então cuspa!

Para fora do disco
Saltando de cerco em cerco...
Abraçando crucifixos
Para fora do disco!
Você está sentada à direita de...
suas ondas em um doce banho
Quando eu me deitar...

Sentindo que o efeito não passou
Você resolve me deixar
quando já me deixou...
Suas palavras não condizem!
Cuspa!

Lá dentro
ao lado...
eu tenho um lobo abotoado em ceda
Abraçando cadáveres - mal os conheço...

Sentindo que o efeito não passou
Sentindo que o efeito não passou
Para dentro do piso...



assis.thiago
 

domingo, 28 de outubro de 2012

MUDANDO

Noite, sei...
talvez, se mudarmos a forma de ver
ou a posição da sala - mais uma vez...
O sol sairia daquela janela
e morderia o tapete em zinco...
talvez se você notasse...
se você me desse uma chance...
se você deixasse...

Vou caminhando sobre a casa
como algo que se foi e sentiu vontade de sorrir
Rosas sangram em meu colo
quando me deixou cair?

Morte, sei...
parte de um jogo que não ganhei, mas
talvez, ao mudarmos a forma de ver...
você notaria...
se você me desse uma chance...
se você deixasse...

Vou caminhando sobre a casa
como algo que se foi e sentiu vontade de sorrir
Rosas sangram em meu colo
quando me deixou cair?

Quando me deixou cair...



assis.thiago


A CASA DE MEUS IDIOMAS

Não adianta insistir
Porque quando tenho uma ideia
ninguém a tira de mim
É uma reação natural,
uma percepção neural...
Veto ou verbal... não alteram...

Uma mudança seria mais do que significante
Você saberia - Quando disser que a amo...
Mantenha-se distante...

Porque hoje estamos só nos divertindo
Não queremos dores nem amores nervosos
estamos nos repelindo, insistindo... talvez...
seja uma reação natural,
uma distração neural...
Verbo ou mental... não alteram...

Guardando para um dia especial
Você saberia - Quando disser que a amo...
Mantendo-me distante...

Abrindo os portões de prata
Revelando a casa de meus idiomas...
Corte pela entrada dos fundos
mas não toque em nada...

Porque hoje estamos nos medindo...



assis.thiago


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A DANÇA

Está bem. Eu estava diminuindo a imagem, estava tentando me afastar daquele instante. Elegantemente, mas o desespero chega à pele e aqueles olhos pareciam-me sugar o cerne... olhos de um demônio branco. Sorrateiro escalei alguns degraus do edifício, de longe ainda ouvindo seus passos... acelerando... em meu peito o mesmo, continuo subindo até achar que estou seguro. Minha segurança chega mais cedo. Trigésimo nono andar... essa porta trancada. Deveria ter solicitado as chaves ao porteiro se soubesse que seria ameaçado de morte... mas é a vida. Os passos ficam maiores... mais altos... mais perto. As mãos escorregando... como faz calor nessa época do ano - que merda! Abre sua porta de mer-- temos um homem, fantasiado em jaleco, uma máscara me impede de ver teu rosto, mas os olhos eram vermelhos... na direita uma mão branca fechada, esperando minha reação. Na esquerda um revólver acinzentado, do tipo dos avôs norte-americanos. Eu tinha a morte, bem ao meu lado... dançando... esperando-me. Dois sons, sequenciados... o primeiro me paralisou e o segundo... o segundo me fez dançar.


assis.thiago



domingo, 21 de outubro de 2012

CORRENTES DE AR

Seus olhos
me olhando assim
Parece que não me quer bem
Tudo... Nada...
Vou fundo... nessa estrada

Ninguém me quer aqui...
Ninguém me quer aqui...
Talvez seja a forma como me visto, mas
Ninguém me quer aqui

Seu medo
Está claro para mim
Estampado em seu rosto...
Tudo... Nada...
Entre os muros há um pouco mais

Ninguém me quer aqui...
Ninguém me quer aqui...
Talvez seja a forma como me sinto, mas
Ninguém me quer ouvir...

Feche a porta meu bem
Você não sabe a hora que ela pode chegar



assis.thiago



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

VAMOS AO CINEMA

Não se imagine delicado
Isso pode se voltar e te fazer cair
Filmando seus dedos
Hoje percebe que pode se ferir
amanhã não se sabe se estará aqui
Não imagine sorrisos
quando o que te move é...

Assistindo em frente à tela vermelha
jorrando, goteja e goteja...
Pare a boca e beba!

Você não tem imaginado
percebe, quando deixa de fumar...
Absorvendo erros
Transformando-os em algo útil
em algo que o mova...

Assistindo em frente à tela vermelha
sonhando, goteja e goteja...
Pare a boca onde eu possa ver...

Não há nada melhor...
É o indício do que está por vir...

Assistindo em frente à tela vermelha
gotejando e gotejando...
Pare a boca onde eu possa ver...
Pare a boca e beba...


assis.thiago



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CARPO

Parece estar dopada
mas é o modo natural
com que as coisas andam...
As coisas se repetem...
por algum motivo eu acho
que já passamos por aqui
As coisas se repetem...
por um instante, eu
pensei que...

Estivesse preparando o meu enterro
porque o caixão leva meu nome

Constrangimento...
Pareço estar no modo natural
Experimentando coisas...
As coisas me remetem
ao antigo costume de amar

Havia me esquecido da dor
porque o caixão leva meu nome
Por todo aquele tempo
engolindo terra e tendo que me calar...

Constrangimento...



assis.thiago


terça-feira, 16 de outubro de 2012

INTIMAMENTE

Intimamente... dedicando meu tempo
Minimamente, com tudo o que posso...
Salve-me! Não tenho mais o mesmo gosto
Infelizmente... fuja!
Para o ponto mais alto...
mas isso me deixaria...

Pior... e você sabe como
Me afastar seria pior e
levaria anos...

Indiferente... puxando-a com os dedos
Intimamente... mas sem os medos de antes
Acalme-se! Não tenho a mesma sorte de antes
Infelizmente... fuja!
Para dentro da floresta...
mas isso a deixaria...

Pior... e você sabe como
Me afastar seria pior e
levaria anos...

Isso é o interior
Uma floresta escura...
Onde nos afastamos do medo, mas
isso levaria anos...

Intimamente...


assis.thiago

domingo, 14 de outubro de 2012

INVERNO

O que sinto é um vento nos pés que me diz sobre o frio e as ondas que se formam...
um tanto perto daqui... a posição das folhas ao cair...
As gotas desfeitas e salgadas que me absorvem do oceano...
Vivendo e, é só por um minuto... observo...

Estou calado agora
junto à parede de fora
Anoitecendo... deixe-me cair junto à luz do sol...

Não fique mais preocupada, porque estou bem agora, estou bem agora
Um tanto cansado, mas me sinto melhor assim...
Gaivotas anunciam nossa proximidade ao oceano...
Vivendo e, é tudo o que sei fazer... observo...

Estou imóvel agora
junto aos brinquedos, lá fora
Anoitecendo... deixe-me cair junto à luz do sol...

Acima...
Tranque as portas...
Vamos tentar ver...
um pouco mais perto...

Lá fora...
junto à calçada de terra
Anoitecendo... deixe-me cair junto à luz do sol...


assis.thiago

sábado, 13 de outubro de 2012

ATENA

Você não quer ouvir
então feche os lábios... assim...
O tempo abraça a dor que me tem
feche os olhos... meu bem

Você...
Não vou pensar duas vezes...

É você...
E fim...

Não vou pensar duas vezes antes de roubar
o seu coração...

O meu coração é seu!
Sangrando...

Você...

Meu bem, meu bem
Não vou pensar duas vezes antes de sentir
o seu coração...
Não vou pensar duas vezes, sem ter que ouvir
a razão...

É você...
E fim...


assis.thiago

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DORMÊNCIA

Esqueça! Não estou aqui por...
Sim, talvez tenha razão...
Então esqueça!
Acumulando informações
entre essas vigas...
Fantasmas...

Respiro o pó de seus pais
Não seria nada agradável te ver assim
Retocando os anos como se
pudessem voltar...

Entenda! Não me preocupei quando...
Bom, talvez eu tenha mentido...
Então esqueça!
Acorrentado e doente
dentro de seu peito...
Fantasmas...

Respiro o pó de seus pais
Não seria nada agradável te ver assim
Retocando os anos como se
pudessem voltar...

Porque eu a quero para sempre...
E eu não posso deixar que termine assim

Dormente...

Porque eu a quero para sempre...
E eu não posso deixar que termine assim
Não posso deixar que termine assim...


assis.thiago

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

EM UMA BARRA AGORA

Eu deveria... não seja indelicada...
Eu deveria notar o seu rosto
Eu deveria atravessar o corredor
e pedir um pouco de sangue...
Mas... notaria...

Não estamos brincando
estamos pensando certo agora...

Trafegando baixo
Tenho nos olhos seus traços
Continue aparecendo
porque não vou perder um segundo...

Eu deveria marcar o caminho de volta?
Talvez eu tenha que ficar...
Eu deveria ter mais fé do que medo
e beber um pouco de sol...

Não estamos brincando
estamos em uma barra agora...


assis.thiago

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

1956

Ela vestia... Como consegue ser tão linda...
Algodão e jeans... parte de mim é assim...
Envenenado pelo perfume do ópio
Seu cinza... congelado em seu rosto...
Parece boneca, parece parada no tempo...
Há quanto tempo... 1956
Talvez, se me adianto
a pego voando,
mas agora parece parar meu tempo...
Parece estar cada vez mais perto
Pareço estar cada vez mais certo...
transpassando...


assis.thiago

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

VIOLETA

Fresca...

Usando meus dentes, veja...
Tenho uma corda em torno do pescoço
e uma cadeira pronta para cair...
Você quis me dizer que foi assim?
Você sempre quis que fosse assim...
Eu não deveria te dar ouvidos
Porque tudo o que fala me causa náuseas
Estive sempre me culpando, mas
a culpa sempre cai em outro lugar...

É, ficamos sentindo o peso durante muito tempo
aquilo batia às costas como guilhotina e violetas
O velho soa o gongo e então descemos...
para dentro da terra

Fumando durante a noite...
Jardineiros começam a trabalhar...
Você quis me deter quando teve a chance
e agora fica dizendo que está tudo bem
Porque tudo o que fala me causa dor
Estive sempre pensando, mas
nunca parou para me ouvir...

É, ficamos bebendo até sentir que não tenho peso
aquilo batia às costas como guilhotina e violetas
O velho soa o gongo e então descemos...
Para dentro da terra...


assis.thiago

SAPATOS

Marco à porta um pé de valsa
morto como coelhos que atravessam...
É quando piso, mas é para firmar
porque no início era outra história

Vou mudando os sapatos
procurando uma forma de me encaixar
Um homem sabe quando tem de parar...
Um homem sabe quando tem de parar...

Estou parando...
próximo à Avenida 15
onde os carros somem na noite,
onde passo, só para firmar
porque no início era outra coisa...

Vou mudando os sapatos
como quem muda de humor ou sei lá
Um homem sabe quando tem de parar...
Um homem sabe quando tem de parar...

Guarda-sol...

Estou precisando de mais tempo
só para confirmar o que penso...
O que penso?
As vezes não posso responder...
As vezes não sei o que dizer...
porque estamos descalços agora...



assis.thiago

domingo, 7 de outubro de 2012

VÊNUS

Não fique
Entenda a conjuntura...
O espaço não comporta mais você...
O meu espaço só pensa em se tornar
maior e maior... como o mar...
Delirando... através das paredes...
delirando... através das paredes...

O dom está aí
basta senti-lo e faze-lo sair
como um tiro de canhão ou ondas que matam...

Não fique
Estendo as mãos
sobre o enxofre que te acompanha
O meu espaço não quer você mais aqui
Ele só quer ficar maior e maior...
Delirando... através do tempo...
delirando... através do tempo...

Risco um traço em linha reta ao chão
Basta senti-lo e fazê-lo sair
como um tiro de canhão ou ondas que matam...

Faça o corpo se esquentar
está tão frio que mal posso sentir minhas mãos
sobre o enxofre que te acompanha...
O meu espaço não quer você mais aqui...

Leia minhas mãos...
O espaço não comporta mais você...


assis.thiago

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

AGRIDOCE

O cheiro é doce... 
Quando a senti,
de seu pulso - perfume
Não há significado,
é só e somente o que se sente...
É um cisco nos dentes,
sorrindo... 

Acho que deixei
a porta do carro aberta novamente
Se eu pudesse voltar e fechar...
mas o que seria de nós aqui?
Eu toparia fugir
É um risco que se corre,
tentando...

Minha estrela...
Eu saberia amar novamente
eu sei... cheiro de rosas...
Teu colo é uma parte do céu
Eu morreria para ficar aqui,
sonhando...

Mas os olhos estão bem vivos
e se renovam sempre que a vê
passando... como se não soubesse
de tudo que eu sinto por você...
Eu morreria.... morreria...
amando-te...

Minha ilusão se foi
às vinte e duas, sempre assim...
Por que não fica, fica...
só mais um segundo aqui?
Assim... assim...
Querendo-te...

Mais e mais...
Vou narrando o que sinto...
um cheiro doce... doce...
doce como o infinito...
É, já são cinco...
Hora de ir... sorrindo...



assis.thiago

FITA


Quando me viu
logo senti
só por você meu bem
até o fim...
Fitando da mesa
Ela se lançou para mim
até eu ir...
até eu ir...

Você fez o mundo parar num segundo...
Você fez o meu mundo girar no seu mundo...

Quando sorriu
Aos olhos me deixei
me afogar...
até o fim...
Eu fui beijado...
enfeitiçado...
Bruxa...

Você fez com que tudo vivesse para sempre
Você fez o meu mundo girar no seu mundo...

Bruxa...


assis.thiago

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

DESCENDO

Conturbado... tua boca soa um tipo de vocábulo que não me sai, não me desce, não mais... é estranho ouvir do agora um fim, quando na verdade se sabe para onde se vai... Não bebemos o bastante meu bem. Estávamos sóbrios demais para mergulhar... nessa constante volta meu bem... E quando vai parar? Quando a graça se esgotar... Quando eu disser que tenho que parar. Eu digo: Calma, você não tem com que se preocupar... é só beber um pouco de... deixa para lá. Eu vejo o tempo passando como um trator... nessa época triste eleitoral. Eu a vejo como um anjo feito em sol, mas não me desce... não mais... é estranho cair quando se tem apoio... mas é porque não bebemos o bastante meu amor... estávamos tão perdidos em falsos vocábulos... mas eu não, nunca estive tão calmo... hum... hum... hum... hum... foi o tempo que fiquei assim. Foi o tempo em que fiquei assim... perdido... hum... hum... hum... perdendo... hum... perdendo? Ou não? Estive pendurado junto ao sonho... estive cansado de te acordar... toda a noite... beije-me... vazio... estive longe do sentimento não foi... estive perdendo meu tempo não foi... estive sonhando... coisas ruins... um olho vermelho e um lobo branco perdido na noite... rondando minha casa... olhando-me, olhando-me... Conturbado... tua boca soa um tipo de ideia que não me entra, não me desce, não mais... E o coração batia, batia forte... mas... tente dormir agora.


assis.thiago

terça-feira, 2 de outubro de 2012

BULA

Amante-me...
Sagitários caminham, frente ao café
Chifres, rosas, remédio...
Sua voz grossa não altera mais nada
apenas, reproduz...
Chifres, rosas, remédio...
Eu sinto, mas não quer dizer nada
apenas, morre...

Isso vem e vai
mas não deveria partir
"Sinto como se tudo estivesse..."
caindo...

Suporte...
Dezembro se vai, atravessando a faixa...

Desligando...


assis.thiago

RETORNO À CAIXA

As vezes...
Quando pensamos estar imune
Sentimos... que poderíamos estar...
Eu outro lugar...
Roubando doces...
Correndo sobre um poço de sangue...
mas, insistimos em continuar assim
Parados...

Enquanto as ruas vão mudando e passando
vão-se os anos... ainda no mesmo lugar...
Observando rostos, tipos, casas
mudando, mudando...

Retorno à caixa...
essas buzinas são tão altas...
Eu poderia... deitá-las sobre um monte de espinhos...
Deitando sobre...
Bebendo dos dedos um pouco de sangue...
mas, insistimos em continuar assim
Parando...

Seu laço vai tomando a forma do corpo
Deus saberia me dizer o que sinto
Observando rostos, tipos, casas
mudando, mudando...

Retorno à caixa...

Retorno à caixa...

Eu poderia deitá-la sobre um colchão de água
Esperando o tempo passar...
Vão-se os anos... e ainda no mesmo lugar...
mudando, mudando...



assis.thiago

sábado, 29 de setembro de 2012

PORNOGRAFIA

Só a frente
Nos rendemos ao gosto e à prática
Só filmando...
Minha atriz, minha atriz...

Venha até mim...
Não me veja assim...

Contra a luz você parece não notar
esse censo que eleva...
Vamos longe - Onde? Mesmo em um sofá
Vamos logo e não pare!

Nós abaixo
Duas mãos irão te mover...
Só nós abaixo!
Minha linda prostituta...

Contra a luz você parece disfarçar
esse censo que eleva...
Diga onde - Vamos. Quando vai parar?
Vamos logo - Onde? Pare!

Venha até mim...
Vai ser assim...
Venha até mim...
Não me veja sorrindo...

Contra a luz você produz um falso olhar
e é esse o censo que eleva...
Vamos longe - Vamos. Vamos despertar
Feche os olhos e viaje...

Não me veja assim...


assis.thiago

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ESTRANHO

Estranho...
Assim, parado
ouvindo lances de sono
pescava pescando...

Ascende um cigarro
fuma fumaça num sopro
amordaço...

Tem do peito uma vida breve
no dedo esquerdo preto e leve
cinzas...

Tua língua brilha frente ao luar
a linha puxa, fisga...
pesca pescando...
Um minuto...

Fita...
O vento penteando a sombra
abaixo daquilo que pensara pisar...

Assim, mortiço
pensando nisso, naquilo...
prestes a deixar...
e deixando vai-se embora sonhar...

O rio avante
molhando as folhas que caem
devagar... para...

Estranho...
paralisava tocando...
puxando... o que há?
Estranho e só...

Estranho...


PALAVRAS

Isso é uma promessa?
Porque se for, descruze os dedos...
Sempre me fazendo de tolo...
E quando percebe que está tudo acabado
voltemos ao ponto de onde nunca deveríamos ter saído

Mas dentro de você
tem algo aí que não a deixa fazer...
aquilo que realmente quer!

Isto é uma quebra de palavra
Estou expulsando os demônios de seu corpo!
Sempre... matando-os! Matando-os!
E quando entende que estou muito por baixo
você vem e derruba uma parede de granito sobre mim

Mas dentro de você
tem algo aí que não a deixa fazer...
aquilo que realmente quer!
Então expulse-os! Cada demônio...

Isto, estou tentando manter a promessa
porque se fosse uma cruz, você saberia...
Mais do que ninguém...


assis.thiago

 


MEDO DE FUTURO

Forçaram a porta
com canivete suíço...
Em seus ombros
uma ponta de fé
Rezando, ampliando olhares incrédulos
Reservamos um espaço à mesa da vida...
Seu lugar é na cabeceira, mas
por que não se senta junto de nós?
Estamos caminhando àquilo que chamamos futuro
ou estamos caminhando com os pés virados para trás?
Insistimos, brigamos, gritamos diante do desafio, mas
como pode contribuir estando junto do sofá?

Novamente...

Forçaram a porta
e os municipais não chegam,
nunca atenderam à chamada telefônica
Entardeceu, anoiteceu e a noite parece mais seguro andar...
Porque não tem ninguém nos vigiando...
Estão todos dormindo
e nós temos um plano não temos?
Calma, estou só abrindo uma brecha nessa vida...

Novamente...

Forçaram a porta
e as crianças estão sonhando o futuro que vem vindo
Seguramos a porta ou deixamos com que abram o caminho?
Novamente...


assis.thiago



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

GRANITO

Fugindo para longe... indomável madrugada... tens o fim, a mim e a mais nada. Tens o som, o sol, a luz... Madrugada... passagem de ida, que nunca volta, andando esquecida, dura como uma rocha... E quando se lembra... Oh, dor perversa que me sonda! Lembrar é como deixar que uma corda me tire a essência... vamos até o fim? Estou caindo enquanto você fica aí... apontando. Aponte um lápis! Deixe o som te levar... para longe... indomável madrugada... tens nos dias uma menina de pele dourada e um cachorro de mandíbula pendurada. Vamos... para bem longe... para longe daqui.

Volte...
Volte...
Volte...

Estou tão no fim que, mal saberia escalar toda aquela parede de volta... a fossa... parece-me mais alta, infinita... Levantando-me a mão... mas não, não sei se vale a pena tentar... já vi demais, já ouvi demais para lembrar... Oh, dor perversa que me sonda! Lembrar é como deixar que uma onda me leve para o mar...

Olhos...
Olhos...
Olhos...

Foram seus olhos o motivo de estar... aqui, em terra firme...



assis.thiago


terça-feira, 25 de setembro de 2012

ORBITAL


Bravo!

Ontem.
Antes de sorrirem
Quando não esperavam
O sexto toque de dor
Ouvíam-se nervos estalando nas vozes
Orbitais de Nero...

Este sorria confuso
Sem saber onde ficar
"Dê-me a lâmpada e o sol"
Dizia fechando os olhos

Todos calados, mediam
A distância entre as luzes novas
Duvidavam do poder e até de Deus
Nero fumou seu dedo médio e
Saindo de rabo quis se explicar

"Lua nova saíra para namorar
Enquanto as luzes ficaram sem lar"
Nero sabia de toda a verdade
Mas não podia muito contar

E todos fitaram
Sem ter o que mentir
Ana Clarah levantara os ossos do sofá
Sentindo que a noite haveria de chegar
Mas Morte queria mais um pouco de Nero
Queria o esgotar

"O que vai pitar?"
Pergunta Sádica a Morte do sofá
"Estrelas de Júpter minha senhora."
Nero sabia o que estava a notar

Morte fixava seus lábios ao copo de cebo
Ilha já se levantava para voar
Mas Ódio a segurava pelas barbas
Vênus desmanchava-se nua ao teto-esquina
Enquanto Ana Clarah refletia sozinha...

Nero já não ouvia
Mas via o rubro manto de carne libertar-se
Em suma, vidro e o mosaico vermeho de dores aos pés da Morte
Suas vozes transpassavam por todo o cômodo suave de Deus
E então se vai para nunca mais voltar...



assis.thiago

MOINHO


"Quando a cascata de vento sacudia.a porta e o teto de vidro fino soava em dó.minha pele me dizia baixo.o que os meus olhos viam um só.prédios e casas.nuvens e um resto de sol.formavam asas em dias nublados.arrancavam casas e seus telhados em um só.Instante...fragmento de segundo.tempo em um pisco de pálpebras.aquilo era bem maior.levantando ondas, braços...um nó de vento.que assoviava alto.como a voz de Deus.ressoando ao vale de pedras negras...eu me trancava.dentro de mim.e de todo aquele vazio que me cercava.eu me trancava.dentro de mim.e no vazio que me cercava.eu via o sol... "

assis.thiago

CAIXA PRETA


Na verdade, as coisas ficaram mais mortas... era como se o frio não fizesse mais parte daquela estação. Seria apenas um dia e mais nada, mas o tempo prolongou tudo, e todos se tocaram até ouvir o som da caixa preta tocando o mar... Acordamos no dia seguinte, envoltos por capa e uma chuva gelada que cobria toda a montanha... as ondas se formavam lentas, de longe se ouvia o som delas, vindo... vindo...vindo... até tocar os nossos pés. Eu me levantava e tentava entender o motivo, a causa da queda, o início de tudo aquilo, mas a resposta era o silêncio daquela manhã... o silêncio... e como era insuportável o silêncio... Ele me dizia baixo: você não vai aguentar... e outras milhares de coisas que eu não conseguia diferenciar.
Sentamo-nos à beira, com o fogo aceso. A noite chegara em menos de duas horas. E então percebemos que a manhã, na verdade, era tarde, e que o sol a noite não se escondia, ele se mantinha alí, parado, junto à palmeira lilás... ele estava bem alí... até ser dia outra vez...


assis.thiago