segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A DANÇA

Está bem. Eu estava diminuindo a imagem, estava tentando me afastar daquele instante. Elegantemente, mas o desespero chega à pele e aqueles olhos pareciam-me sugar o cerne... olhos de um demônio branco. Sorrateiro escalei alguns degraus do edifício, de longe ainda ouvindo seus passos... acelerando... em meu peito o mesmo, continuo subindo até achar que estou seguro. Minha segurança chega mais cedo. Trigésimo nono andar... essa porta trancada. Deveria ter solicitado as chaves ao porteiro se soubesse que seria ameaçado de morte... mas é a vida. Os passos ficam maiores... mais altos... mais perto. As mãos escorregando... como faz calor nessa época do ano - que merda! Abre sua porta de mer-- temos um homem, fantasiado em jaleco, uma máscara me impede de ver teu rosto, mas os olhos eram vermelhos... na direita uma mão branca fechada, esperando minha reação. Na esquerda um revólver acinzentado, do tipo dos avôs norte-americanos. Eu tinha a morte, bem ao meu lado... dançando... esperando-me. Dois sons, sequenciados... o primeiro me paralisou e o segundo... o segundo me fez dançar.


assis.thiago



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