sábado, 29 de setembro de 2012

PORNOGRAFIA

Só a frente
Nos rendemos ao gosto e à prática
Só filmando...
Minha atriz, minha atriz...

Venha até mim...
Não me veja assim...

Contra a luz você parece não notar
esse censo que eleva...
Vamos longe - Onde? Mesmo em um sofá
Vamos logo e não pare!

Nós abaixo
Duas mãos irão te mover...
Só nós abaixo!
Minha linda prostituta...

Contra a luz você parece disfarçar
esse censo que eleva...
Diga onde - Vamos. Quando vai parar?
Vamos logo - Onde? Pare!

Venha até mim...
Vai ser assim...
Venha até mim...
Não me veja sorrindo...

Contra a luz você produz um falso olhar
e é esse o censo que eleva...
Vamos longe - Vamos. Vamos despertar
Feche os olhos e viaje...

Não me veja assim...


assis.thiago

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ESTRANHO

Estranho...
Assim, parado
ouvindo lances de sono
pescava pescando...

Ascende um cigarro
fuma fumaça num sopro
amordaço...

Tem do peito uma vida breve
no dedo esquerdo preto e leve
cinzas...

Tua língua brilha frente ao luar
a linha puxa, fisga...
pesca pescando...
Um minuto...

Fita...
O vento penteando a sombra
abaixo daquilo que pensara pisar...

Assim, mortiço
pensando nisso, naquilo...
prestes a deixar...
e deixando vai-se embora sonhar...

O rio avante
molhando as folhas que caem
devagar... para...

Estranho...
paralisava tocando...
puxando... o que há?
Estranho e só...

Estranho...


PALAVRAS

Isso é uma promessa?
Porque se for, descruze os dedos...
Sempre me fazendo de tolo...
E quando percebe que está tudo acabado
voltemos ao ponto de onde nunca deveríamos ter saído

Mas dentro de você
tem algo aí que não a deixa fazer...
aquilo que realmente quer!

Isto é uma quebra de palavra
Estou expulsando os demônios de seu corpo!
Sempre... matando-os! Matando-os!
E quando entende que estou muito por baixo
você vem e derruba uma parede de granito sobre mim

Mas dentro de você
tem algo aí que não a deixa fazer...
aquilo que realmente quer!
Então expulse-os! Cada demônio...

Isto, estou tentando manter a promessa
porque se fosse uma cruz, você saberia...
Mais do que ninguém...


assis.thiago

 


MEDO DE FUTURO

Forçaram a porta
com canivete suíço...
Em seus ombros
uma ponta de fé
Rezando, ampliando olhares incrédulos
Reservamos um espaço à mesa da vida...
Seu lugar é na cabeceira, mas
por que não se senta junto de nós?
Estamos caminhando àquilo que chamamos futuro
ou estamos caminhando com os pés virados para trás?
Insistimos, brigamos, gritamos diante do desafio, mas
como pode contribuir estando junto do sofá?

Novamente...

Forçaram a porta
e os municipais não chegam,
nunca atenderam à chamada telefônica
Entardeceu, anoiteceu e a noite parece mais seguro andar...
Porque não tem ninguém nos vigiando...
Estão todos dormindo
e nós temos um plano não temos?
Calma, estou só abrindo uma brecha nessa vida...

Novamente...

Forçaram a porta
e as crianças estão sonhando o futuro que vem vindo
Seguramos a porta ou deixamos com que abram o caminho?
Novamente...


assis.thiago



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

GRANITO

Fugindo para longe... indomável madrugada... tens o fim, a mim e a mais nada. Tens o som, o sol, a luz... Madrugada... passagem de ida, que nunca volta, andando esquecida, dura como uma rocha... E quando se lembra... Oh, dor perversa que me sonda! Lembrar é como deixar que uma corda me tire a essência... vamos até o fim? Estou caindo enquanto você fica aí... apontando. Aponte um lápis! Deixe o som te levar... para longe... indomável madrugada... tens nos dias uma menina de pele dourada e um cachorro de mandíbula pendurada. Vamos... para bem longe... para longe daqui.

Volte...
Volte...
Volte...

Estou tão no fim que, mal saberia escalar toda aquela parede de volta... a fossa... parece-me mais alta, infinita... Levantando-me a mão... mas não, não sei se vale a pena tentar... já vi demais, já ouvi demais para lembrar... Oh, dor perversa que me sonda! Lembrar é como deixar que uma onda me leve para o mar...

Olhos...
Olhos...
Olhos...

Foram seus olhos o motivo de estar... aqui, em terra firme...



assis.thiago


terça-feira, 25 de setembro de 2012

ORBITAL


Bravo!

Ontem.
Antes de sorrirem
Quando não esperavam
O sexto toque de dor
Ouvíam-se nervos estalando nas vozes
Orbitais de Nero...

Este sorria confuso
Sem saber onde ficar
"Dê-me a lâmpada e o sol"
Dizia fechando os olhos

Todos calados, mediam
A distância entre as luzes novas
Duvidavam do poder e até de Deus
Nero fumou seu dedo médio e
Saindo de rabo quis se explicar

"Lua nova saíra para namorar
Enquanto as luzes ficaram sem lar"
Nero sabia de toda a verdade
Mas não podia muito contar

E todos fitaram
Sem ter o que mentir
Ana Clarah levantara os ossos do sofá
Sentindo que a noite haveria de chegar
Mas Morte queria mais um pouco de Nero
Queria o esgotar

"O que vai pitar?"
Pergunta Sádica a Morte do sofá
"Estrelas de Júpter minha senhora."
Nero sabia o que estava a notar

Morte fixava seus lábios ao copo de cebo
Ilha já se levantava para voar
Mas Ódio a segurava pelas barbas
Vênus desmanchava-se nua ao teto-esquina
Enquanto Ana Clarah refletia sozinha...

Nero já não ouvia
Mas via o rubro manto de carne libertar-se
Em suma, vidro e o mosaico vermeho de dores aos pés da Morte
Suas vozes transpassavam por todo o cômodo suave de Deus
E então se vai para nunca mais voltar...



assis.thiago

MOINHO


"Quando a cascata de vento sacudia.a porta e o teto de vidro fino soava em dó.minha pele me dizia baixo.o que os meus olhos viam um só.prédios e casas.nuvens e um resto de sol.formavam asas em dias nublados.arrancavam casas e seus telhados em um só.Instante...fragmento de segundo.tempo em um pisco de pálpebras.aquilo era bem maior.levantando ondas, braços...um nó de vento.que assoviava alto.como a voz de Deus.ressoando ao vale de pedras negras...eu me trancava.dentro de mim.e de todo aquele vazio que me cercava.eu me trancava.dentro de mim.e no vazio que me cercava.eu via o sol... "

assis.thiago

CAIXA PRETA


Na verdade, as coisas ficaram mais mortas... era como se o frio não fizesse mais parte daquela estação. Seria apenas um dia e mais nada, mas o tempo prolongou tudo, e todos se tocaram até ouvir o som da caixa preta tocando o mar... Acordamos no dia seguinte, envoltos por capa e uma chuva gelada que cobria toda a montanha... as ondas se formavam lentas, de longe se ouvia o som delas, vindo... vindo...vindo... até tocar os nossos pés. Eu me levantava e tentava entender o motivo, a causa da queda, o início de tudo aquilo, mas a resposta era o silêncio daquela manhã... o silêncio... e como era insuportável o silêncio... Ele me dizia baixo: você não vai aguentar... e outras milhares de coisas que eu não conseguia diferenciar.
Sentamo-nos à beira, com o fogo aceso. A noite chegara em menos de duas horas. E então percebemos que a manhã, na verdade, era tarde, e que o sol a noite não se escondia, ele se mantinha alí, parado, junto à palmeira lilás... ele estava bem alí... até ser dia outra vez...


assis.thiago


O TELHADO


O telhado de terra viva
viviam dizendo que eu tinha a saída de todo o mal
mas o que seria?
se todos fossem até o quintal
saberiam a verdade...
Ela era jovem, não muito magra, mas comiam-me os dedos após a janta.
Ela não era nenhuma criança, mas comia como tal...
O telhado apodrecia no inverno
e o cheiro era abastecimento de nosferatus.
Mas quem diria, o amor, o amor surgia em meio às Rúbias e aos Clementes. Esses se tornariam amantes doentes.
Mas ela não, ela era doce como maça de rosto. Ela podia se vestir de corvos que não modificaria nada... eu a tenho na calçada, no copo, na cabeça e no vento. E ela não sabe de nada, não espia, não bebe e nem semeia.
A telha? é, a telha...


assis.thiago


AMORDAÇA


Ela começa de baixo
reside no espaço
suas unhas são claras e finas
uma bebida a esconde
Ela lança o veneno
enterrando os dias e as noites
é quando eu paro
mas, mas, mas...

Aquilo foi ensaiado
aquilo foi feito, elaborado
você não pode me forçar!
então teste

Ela desconfia do toque
mas repuxa os dedos até escapar de mim
seu tempo é tão paralelo
uma faca sem ponta a esconde

Aqui foi bem assim
pesado e medido, elaborado
você não pode me tocar!
então teste

Quando fui até você
estávamos deitados entre os crimes amorosos
Ha-ha, agora entende como é irônico?
vivemos deitados entre os crimes amorosos...

Ela me puxa
cansada e ativa, elaborada
você não pode me tocar!
então tente, tente!
Você não pode me tocar!
Você não pode me tocar!

Até o amanhecer meu bem, até lá...


assis.thiago

DESEJOS


Desejos, onde estão?
Guardados sobre uma cômoda - comodo...
Paramos no tempo
quando entramos naquele carro...
Eu não parava de descer em seus olhos
e só não parava... não parava...

Era contraditório
viver e querer continuar morrendo...
aquilo doía, doía, mas doía na alma...
Quando a vi... aquilo me derrubou, fez-me cair...
mas renasci, renascendo...
viver e estar morrendo, morrendo...


assis.thiago

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PRISÕES

Venha! aumente a velocidade agora
Vamos empurrando com a força que tem...
Somos parte disso homem...
Solte as barras e corra para longe... dos muros...
Uma medida, tenha por partes
Veja a saída, está tão perto da porta...

Insista! aumente a velocidade agora
Agora, martelando na sua cabeça...
aumente o volume homem...
Corra para debaixo das árvores... dos muros...
Uma medida, tenha por partes
Veja a saída, está tão perto agora...

Viaje...

Corra para debaixo da lua... dos muros...
Uma medida, tenha por partes
Veja a saída, está tão perto agora...
tão perto agora... nunca esteve...
tão perto...


assis.thiago

A FONTE DE PECADOS

Uma noite, uma hora apenas e mal suporto
Nessa igreja existem mais corvos do que corpos humanos
Aqui dentro todos sorriem aos olhos de Deus
mas esquecem que seus olhos não se limitam a este prédio...
Santa casa... Deixem de ladainha!
Porque lá fora ninguém olha em seus olhos
Estão todos tão ocupados - mal sabem...
mas forçam saber. É natural fingir aqui...
Mas como ela me desestrutura
uma linha madura de se ver...
Ela prefere se sentar três filas a frente do que vir até aqui
Devo estar pagando os meus pecados...
Mas também deixa, não gosto de ficar me prendendo a essas coisas...
mas que coisa boa de se prender...
Meus olhos só querem você e mais nada
Virgem Maria de lá, parada, rezando o Credo
e eu sonhando bobagens, meditando paixão...
Ela olha para trás... levanto as sobrancelhas, os dedos, a mão...
Ela não me viu...
Ao fim daquela odisseia litúrgica
Os abutres tomam a porta em revoada, parecem estar com pressa não?
De volta à rotina rotineira da vida. Certo,
Entro na fila para liberdade ao mundo dos pecados - é lá fora, não se esqueça.
Ela está a alguns centímetros de meus olhos... parada, esperando o casal de senhores passar...
demorem por favor, uma década, a eternidade se não for incomodar...
Seu perfume era de flores...
Fechando os olhos eu sentia e me deleitava àquilo que se chamara amor...
Ela se virou "Oi Demônio!"
Ela me despertou... "O-oi... você, pode me ver agora?"
"Você pode ver o que te assombra? Consegue me ver agora?"
Ela ainda parada "Não, ainda estou aguardando a próxima vaga..."
Meu Deus! O que está acontecendo aqui?
Tenho sentido coisas que jamais senti... e, agora estou...
"Conversando com um anjo..." "Você, um an-anjo?"
"Sim, estava o vendo alí, ao fundo da casa... resolvi te assistir e tentar te encontrar..."
"Encontrar-me?" "Sim, entender-te..." "Entender-me?! Quem é você?!"
"Aquele que deseja ser..."
Foi quando tudo ficou branco e a fila andou...



assis.thiago


domingo, 23 de setembro de 2012

O RIO MARTINS

Frente ao rio Martins
Meninos e meninas despindo cores
deixavam a lua rosa de medo e volúpia
Deus, não nos castigue...

Porque a noite está tão fria
mas os dedos acusam orgia
Olhando estrelas sobre a grama negra da margem
Está borrando a maquiagem...

Naqueles olhos em bordado roxo
misturam-se a um rosto, o corpo
uma pintura viva como a morte, sinta...
Estamos no centro das coisas...

Giramos ao redor das novidades
Mergulhando fundo ao rio de vaidades
Martins... engolindo um por um - drogas...
Sob o efeito cinza do tempo...

Porque, hoje, a noite está aberta
vibra-se com o vento forte
Que frio... este frio é morte
Passando entre nós... arrepio ou sorte?

Naquela margem tomada por vaga-lumes
estrelas pareciam tocá-la
Animais em uivos vibrantes cercavam a casca...
Lobos?

Saíram correndo aos montes
Agora mulheres e homens
vestindo rumores sob a lua rosa...
Rosa?

As cores caíam
até desaparecer junto ao rio
Martins... engolindo par em par - drogas
Sob o efeito cinza do tempo...

Agora...
Cheio com o jantar
desvairava-se em meio a mata
procurando um novo lar, uma nova casca...


assis.thiago

REAÇÃO EM LÓTUS

Hoje, quando cedo, eu tive medo de não sentir você
Os dedos de ontem estavam em gelo e sem reação
meu coração... perdendo sangue, a razão
Reação em Lótus...

Sentou-se ao chão
Onde a lua me toca... corvos!
deem comida a ela, mas espera...
você não pode me beijar...

Quando estive longe - minta para mim ou se cale
Os dias nunca foram tão em cores e com razão
seu coração... bombeando flores...
Reação em Lótus...

Sentou-se ao chão
Onde a lua sufoca... corvos!
deem asas a ela, mas espera...
nós não podemos nos beijar...
Podemos nos olhar e só...
Só podemos imaginar e só...
Só podemos imaginar... como poderia ser...


assis.thiago



QUANDO ELA DIZ

Arquitetando sonhos
Brisa deixa a Onda mais calma
Ainda que deixemos os dias caminharem sozinhos
um dia iremos nos encontrar de novo
Porque o mundo nunca para
Você gira ao redor do sol, mas...
francamente, deixe ela ir...

Andando como se fosse voltar?
Pare! Continue andando...
Quando ela diz "vou andar"
Ela diz "vem, volte agora.."

Não, agora eu tenho uma resposta
porque a ação é andar
Ainda bem que estivemos perto... ou sozinhos?
Uma noite estive longe do Mar
mas entendi que ainda posso voltar, mas...
francamente, deixe ela ir...

Andando como se fosse voltar?
Parando longe, mas continue andando... andando...
Quando ela diz "ainda vai voltar"
Na verdade ela está... querendo que volte, agora...

Não, agora não mais...
Não, agora não mais...
Não, agora nunca mais...
Não, agora vou estar...
Andando...
Andando...
Andando...
Andando...


assis.thiago


sábado, 22 de setembro de 2012

LARANJA

Ficaram despidos
Minha lente em vidro
Ficamos sorrindo
Um para o outro...
Até nos cansar...


assis.thiago


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

CAPRICÓRNIO

Sul, uma hora para te encontrar...
Estamos chegando... perto do mar
Mandei mensagens, onde estou?
Fiquei parado... meu amor...

Sul...

Uma hora e três minutos
Hora de me acordar...
Durmo apenas dois segundos
em quatro estarei longe  demais para ligar...

Telefone para Sul
pode ligar... onde os laços são em rosa
Moça em Só...
Telefone para Sul
vai desligar... lave os laços feito em sangue
Vamos sonhar...


assis.thiago

ADOLESCENTES

Segure a boca para não dizer bobagem
Estamos calmos como um vulcão
Esperando o momento para sair...
Vamos nos deitar à cama
Descobriremos caminhos onde antes passávamos sem saber o motivo
Andaremos deitados sobre um carro dobrado em vidro
Sonharemos distantes, mas com medo de enfrentar o destino...

É, com a responsabilidade vindo cedo...
Meu filho não me deixa dormir
Esperando a luz cair...
Vamos caminhar sem saber para onde ir
Descobriremos pontos que você não conhece
Beberemos coisas que um homem adulto pode cuspir
Sonharemos distantes, mas com medo de enfrentar o futuro...

Segure a boca para não dizer bobagem...

Na escola as vezes não me sinto bem a vontade
Alguns riram, outros agrediram meus sonhos
Esperando o sol sair...
Vou explodir feito uma bomba em voz
Descobriremos, com o tempo, que éramos felizes assim
Beberemos coisas que um homem adulto pode cuspir
Sonharemos distantes, mas com medo de enfrentar...
O que há por vir?


assis.thiago

TRINCA

Essa porta velha, não é minha
Tenho ursos e sonhos que não são meus...
Tenho uma vida e um sol que brilha forte
Tenho uma família e um prédio que me impede de ver o horizonte...

Naquele dia em que o sol se apagou
minha pele ficou triste
estou reescrevendo coisas, diariamente...
desliguem-me...

Retirem a pilha
Troquem a trinca, por favor...
Essa porta range meus dentes - bruxismo
mal de família...

Negando graus e textos
que me fazem sentir melhor, ou pior, depende
se estiver doente, diga-me
costumo ter o poder da cura
"curávamos um ao outro..."
"um remédio manipulado..."
Eu tenho a cura e, a cura, é você

É algo que tenho, que é meu
E não me surpreendo quando digo que a tenho
Cura...

Cura...

Naquele dia em que o sol se apagou
minha pele ficou triste
estou te dizendo que as coisas vem e vão
- Então fique...


assis.thiago

MAÇÃ DE ROSTO

A maçã em teu rosto
solto, um moço pede
apenas um pedaço
Minha onda de desejos insanos...
desvairando... desvairando...

Corujas gritam calmas junto à noite
O vento lança a porta e depois descem...
Duas horas...
O tempo da morte
O dia que nunca termina...
se tenho sorte não sei, mas defina!
Uma parte daquela maçã...

Estava podre
seu gosto era de triste, de ontem...
seu gosto era fúnebre...
Estava morta!
Sim, eu via as veias e também as artérias
que se mostravam sobre a nevasca em pele...
Minha maçã estava morta...

Corujas cantam calmas junto à noite
"Fechem esse bico" eu pensando
mas, de certo modo, eu é que estava me fechando...
Fechei-me... para não se abrir mais...
Uma caixa metálica, um cofre enterrado ao fundo do mar...

Minha maçã...
Minha maçã de rosto...

Eternizamos aquilo em um tiro
que atravessou nossos corações
uma bala, meia pólvora, uma vida e duas almas
perdidas...

Onde o amor vivia, não vive mais?
Não, porque onde estamos agora que é vida
Hoje estamos em paz...


assis.thiago

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MARGARIDA

Margarida como o vento
abrindo o vestido Beta
mergulhava seus olhos Brum
em tetos de escola
O sol era forte aos dentes
Solvente...

Margarida via o céu
acima, detrás de nuvens
Deus, descendo as mãos e os dentes
Solvente...

Como posso continuar? E se continuar eu me vou...
perdendo meu tempo, mas o tempo já me tomou...
Como posso sentir se o sentido me derrubou?
Entendo...

Margarida ria todo o tempo
deixando-nos perdidos ao vento
mergulhava seus lábios nus
em tetos e escadas
O sol era forte aos crentes
Solvente...

Como posso continuar e mentir sempre que perguntar?
Perdendo meu tempo, mas o tempo nunca para...
Como posso ouvir se o sentido falhara?
Entendo...

Entendo...



assis.thiago

UMA BREVE APRESENTAÇÃO DE ESCOPO


Definição de alvo, mira ou objetivo a ser traçado. O plano arquitetado a um fim. O fim? Não sei, mas sejam bem vindos ao ESCOPO... Um espaço onde meus pensamentos estarão expostos sob a influência infinita de meus sentidos. Obrigado.