Hum, o som que surge agora é o de um avião, que passa sempre neste mesmo horário. Três horas... Se estivesse lá dentro, lá em cima, vendo como sou pequeno aqui em baixo, talvez eu poderia fugir um pouco. Desse cenário. E me levantar com as mãos limpas na manhã seguinte. Estão bem sujas, estão vermelhas.
Ela está me olhando, sentada em uma cadeira de metal que trouxe da cozinha... ela não pisca, ela me assusta com sua concentração. E eu aqui, encostado nas paredes... Ela tinha os olhos do pai e os lábios falaciosos da mãe, porém macios como um pêssego, cheirava à flores campestres, sabe, ela sempre foi linda. Estava usando moletom e blusão cinzento daqueles com nomes de universidade da porra - típico traje de inverno. Foi tão rápido, ver você chorando e depois, e depois... Eu tenho planos sabe, eu tenho, eu, eu tive sonhos uma vez. Mas ela nunca me apoiou. Eu tive que silenciar a dor. E ela não me deixava, ela não queria que eu fosse além daquilo, mas eu fui.
A cozinha estava próxima e a hora era um abafador de crimes. Eu só precisaria de um minuto, de um minuto, mas ela tentou me beijar... eu, eu não esperava. Eu tentei congelar, eu fiquei mais três minutos. Meu amor... perdoe-me.
assis.thiago
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